Marisa Pires e seleção feminina em foco

Marisa Pires Nogueira tem 51 anos, mais de 20 dedicados a seleção feminina de futebol. Lutou pelo futebol feminino e por uma liga descente que fosse reestruturada desde as categorias de base. Defensora das leis regulamentadoras para a profissionalização das mulheres na modalidade, iniciou sua carreira no futebol defendendo o Bangu A.C em 1980.

No time de Moça Bonita ela chamou atenção e foi jogar no Radar, equipe pioneira e extremamente vencedora na modalidade na década de 80. Lá Marisa ganhou notoriedade nacional. Dona de uma liderança nata, ela comandava a conhecida linha de impedimento da equipe, que desnorteava as adversárias.

Marisa fez parte da primeira Seleção Nacional feminina formada com a chancela da Confederação Brasileira de Futebol, equipe que disputou o primeiro Campeonato Mundial da FIFA, o chamado Mundial Experimental, realizado em Guangdong, na China, em 1988.

Sua trajetória na Seleção inclui 3 Mundiais (1988, 1991 ambos na China e 1995 na Suécia), uma edição dos Jogos Olímpicos (1996 em Atlanta -USA) e 2 Sul-Americanos (1991 e 1995 ambos no Brasil). Marisa atuou ainda em clubes como o Fluminense , Vasco da Gama, Portuguesa de Desportos, São José, Saad – SP e na Seleção Carioca. Como treinadora, começou na Portuguesa de Desportos, fez belos trabalhos no Vasco da Gama e no Barcelona do Rio de Janeiro. Atualmente é professora de esportes em um projeto da Prefeitura da capital carioca, onde trabalha na formação de novos talentos.

No final dos anos 80 e início dos anos 90, as transmissões da Rede Bandeirantes em TV aberta ajudaram a dar visibilidade ao time feminino, ainda visto com olhar de desconfiança pelos homens. Na visão de Marisa, o futebol brasileiro tem totais condições de encarar a Alemanha, Estados Unidos e Japão, mas com um porém:

“ Para mim um trabalho de longo prazo, mais focado, para termos uma seleção que possa disputar mais de igual pra igual. Que haja tempo até aparecerem umas Formigas, Martas e Cristianes. Tá difícil.”

20 – Maravilha, 19 – Kátia Cilene, 18 – Nildinha, 16 – Sônia, 15 -Lêda Maria, 14 – Tânia Maranhão, 13 – Marisa e 12 – Didi. Foto: A vitrine do futebol feminino.

 

Integrante da geração de Fanta, Adriana Michael Jackson, Cissi e Pretinha, Marisa  relembra um jogo inesquecível com a seleção brasileira:

“O jogo inesquecível foi o primeiro no estádio Beira Rio, no inicio da minha carreira, não esqueço nunca deste dia. Foi a vitória com a seleção brasileira em 88, a primeira que participei.”

Pra terminar, dê um recado a CBF e aos empresários que pensam em incentivar o futebol feminino:

“Ao nosso querido diretor de seleções Marco Aurélio Cunha: que possa estar mais nas comunidades, onde tem muitas Formigas e Martas perdidas querendo uma oportunidade. E que incentive mais o futebol feminino”, finaliza.

Matéria: Artur Rangel / Revisão de texto: Larissa Siqueira. 

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